A história do vinho
É impossível apontar com precisão o local e a data em que o vinho foi feito pela primeira vez. Estudiosos supõe que a bebida seja conhecida há milhares de anos, desde a era primitiva do homem nômade. Em escavações realizadas por arqueólogos na Turquia, na Síria, no Líbano e na Jordânia foram encontradas sementes de uvas da Idade da Pedra (Período Neolítico B), que datam cerca de 8000 anos a.C.
Há inúmeras lendas que contam como teria começado a produção de vinhos e a primeira delas está no Velho Testamento. O capítulo 9 do Gênesis diz que Noé após ter desembarcado os animais, plantou um vinhedo do qual fez vinho, bebeu e se embriagou. Mas essa não é a versão mais citada.
A mais conhecida sobre a descoberta do vinho é de origem persa. Na corte do rei persa semi-mitológico, Jamshid, as uvas eram armazenadas em jarras para serem consumidas fora da época, e certa vez uma das jarras estava cheia de suco e as uvas espumavam e exalavam um cheiro estranho, então os persas as separaram por parecerem impróprias para comer.
Toda a corte ficou sabendo que as frutas estragaram e foram orientadas que o líquido que estava soltando das uvas poderia ser veneno. Uma donzela do harém tentou se matar ingerindo o possível veneno, mas ao invés de morrer ficou alegre e teve um repousante sono.
Ela narrou o ocorrido ao rei, então Jamshid ordenou que mais bebida daquela fosse preparada. Toda a sua corte provou da bebida. O consumo entre os persas tornou-se tradição e estava nomeado de vinho a bebida.
Os mesopotâmios também apreciavam vinho. De início eles os importava da Armênia. A bebida era transportada pelo rio Eufrates, só mais tarde que deram início ao plantio de videiras. Há quem acredite que os franceses da Idade da Pedra foram vinhateiros, pois no largo de Genebra foram encontradas sementes de uvas selvagens que indicam o seu uso há 12 mil anos ou mais.
Se realmente foram, os franceses podem ser considerados os pioneiros na arte de fazer vinho, mas há uma contradição que coloca em dúvida essa questão. Os chefes gauleses pagavam um preço exorbitante pelos vinhos aos comerciantes romanos: um escravo por uma ânfora de vinho. Ao contrário do que muitos pensam, os egípcios não foram os primeiros a fazer vinho, mas certamente foram os primeiros a registrar e celebrar os detalhes da vinificação em suas pinturas que datam 1000 à 3000 anos a.C. Estudos e pesquisas já comprovaram que o vinho existe há pelo menos 7mil anos.
Bom, mas falando na capacidade dos egípcios registrarem através da arte, não podemos deixar de mencionar que em suas marcações eles diferenciavam as qualidades dos vinhos. Nas tumbas dos faraós foram encontradas pinturas retratando com detalhes várias etapas da elaboração do vinho, tais como: a colheita da uva, a prensagem e a fermentação. Também estão registradas cenas que mostram como os vinhos eram bebidos: em taças ou em jarras, através de canudos, em ambiente festivo, elegante, algumas vezes silencioso. O consumo de vinho parece ter sido limitado aos ricos, nobres e sacerdotes. Os vinhedos e o vinho eram oferecidos aos deuses, especialmente aos faraós. Uma pista descoberta em 1922 mostra o cuidado que os egípcios tinham com o vinho. Foram encontradas 36 ânforas de vinho na tumba do jovem faraó Tutankamon, algumas das quais continham inscrições da região, safra, nome do comerciante e até a inscrição querendo dizer "muito boa qualidade". Os gregos também eram amantes da bebida. Recentemente foi descoberta no sul da Grécia a adega do rei Nestor com capacidade para guardar 6000 litros de vinho, onde as bebidas eram armazenadas em grandes jarras denominadas "pithoi".As ilhas gregas provavelmente foram os principais exportadores de vinho, sendo a ilha de Chios, situada ao leste, próxima ao litoral da Lídia a mais importante delas e a que possuía o melhor vinho.
Chegando à Idade Média, a Igreja Católica desempenha um papel importante, desenvolve e aprimora a técnica de produzir vinhedos e vinhos. A igreja foi proprietária de inúmeros vinhedos nos mosteiros das principais ordens religiosas da época, como os franciscanos, beneditinos e cistercienses, que se espalharam por toda a Europa, levando consigo a sabedoria em preparar vinho. Os hospitais também foram centros de produção e distribuição de vinhos. Nessa época, as entidades não cuidavam apenas dos doentes, recebiam também pobres, viajantes, estudantes e peregrinos. Um dos hospitais mais famosos é o Hôtel-Dieu ou Hospice de Beaune fundado em 1443. Segundo dados publicados em 1989, a entidade ainda existe e continua sendo mantida pelas vendas de vinho. As universidades também tiveram seu papel na divulgação e no consumo do vinho durante a Idade Média. Numa forma primitiva de turismo, iniciada pela Universidade de Paris e propagada pela Europa, os estudantes recebiam salvo conduto e ajuda de custos para viagens de intercâmbio cultural em outras universidades. Os estudantes viajantes que ficavam mais tempo em tavernas do que salas de aula, eram muitos entendidos de vinho e a bebida acabou agradando os paladares jovens. Através das expedições colonizadoras, as vinhas da Europa chegaram a outros continentes, se aclimataram e passaram a fornecer bons vinhos, especialmente na África, América do Norte e América do Sul.
Os primeiros países latinos a receber sementes de uvas foram: Estados Unidos, Argentina, Chile e Brasil. Quem trouxe as uvas para as Américas foi Cristóvão Colombo na sua segunda viagem às Antilhas em 1493, e se espalhou a seguir para o México e sul dos Estados Unidos e às colônias espanholas da América do Sul. No Brasil as videiras foram trazidas da Ilha da Madeira (Portugal) em 1532 por Martim Afonso de Souza e plantadas por Brás Cubas inicialmente no litoral paulista, e depois, em 1551, na região de Tatuapé. A partir do século XX a elaboração dos vinhos tomou novos rumos com o desenvolvimento tecnológico na vinicultura e na enologia, propiciando conquistas tais como o cruzamento genético de diferentes cepas de uvas e do desenvolvimento de cepas de leveduras selecionadas geneticamente, a colheita mecanizada, a fermentação "a frio" na elaboração dos vinhos brancos. Hoje a variedade de vinhos são tantas que é impossível deixar de agradar aos mais diferentes gostos.
Extraído sua maior parte da obra:
JOHNSON, Hugh. "The story of Wine". Ed. Mitchell-Beazley. Londres, 1989 |
O plantio da uva em Jundiaí/SP
Reconhecida por terra da uva, a cidade de Jundiaí há anos vem demonstrando o potencial de suas terras para o cultivo das videiras. As condições meteorológicas e a posição geográfica do município fez expandir os vários gêneros de uvas. Esses fatores atribuíram ao município representar quase 30% dos tipos de uva que o Brasil produz, são mais de 40 espécies e gêneros em variedades de uvas cultivadas em Jundiaí.
Os bairros jundiaienses a plantarem as primeiras mudas de uvas foram o Caxambú e a Colônia, logo depois, em 1893 o bairro do Traviu também deu início ao plantio de uvas. A primeira notícia sobre viticultura em Jundiaí data 31/12/1887, mas sabe-se que essas terras já eram produtoras de uva desde o início dos anos de 1880. As primeiras espécies de uvas cultivadas em Jundiaí foram a Isabel e a Catawba vindas de São Paulo no ano de 1880, provavelmente dos bairros de Água Branca, Morumbi, Casa Verde e Penha, os grandes produtores de uva no final do século XIX Antes da viticultura reinar nessas terras, o café era a principal lavoura da cidade, a média anual de exploração da semente era de 2 milhões de quilos, o plantio de vinhas logo ultrapassou essa margem, e pequenas propriedades agrícolas passaram a se dedicar exclusivamente a essa agricultura. A produção de outras variedades de uvas em Jundiaí deu início em 1910 com a espécie niágara branca, duas décadas depois, começou a ser produzida a espécie rosada, que passou a dominar quase 95% dos vinhedos da cidade.
Em 1915, os imigrantes europeus começaram a investir em maior escala na produção da uva e começam a surgir vários investidores na produção do vinho, mas somente alguns permaneceram no mercado. A maioria desses novos empreendedores eram imigrantes europeus, e muitos deles de família simples e humilde, como a Família Belesso. O interesse pela agricultura e cultivo das vinhas fez com que o município realizasse a Primeira Exposição Vitivinícula de São Paulo. Em 1934, no antigo Mercado Municipal, hoje Centro das Artes foi realizado pelo governo do então prefeito, Dr º Antenor Soares Gandra, a exposição das uvas, simultaneamente era realizada a Exposição Industrial no Grupo Escolar Conde do Parnaíba. Os eventos foram um sucesso. Jundiaí foi invadida por 200.000 visitantes, uma surpresa para uma cidade de 28.000 habitantes. No ano seguinte, em 06/07/1935, foi criado o Sindicato da Indústria do Vinho, formado por 42 associados.
Hoje o número de associados é menor, são 9. O Srº Alberto Belesso, dono da empresa que fabrica os vinhos San Tomé e Natal, sempre fez parte da associação desde a criação da empresa, em 1956. Atualmente é o tesoureiro do sindicato.
O sucesso da feira de exposição vitivinícula repetiu no ano de 1938. O evento foi realizado no antigo Largo da Santa Cruz, hoje Praça da Bandeira. Nesse mesmo período aconteceu o 4º Congresso Brasileiro de Viticultura e Enologia, no Gabinete Ruy Barbosa. O Sindicato da Indústria de Vinho e os agricultores viram a necessidade de criar um local adequado para a realização das exposições que atraia cada vez mais um público amplo, então em 1953 a exposição ganha um espaço próprio para a realização do evento. Estava criado o Parque "Comendador Antônio Carbonari" por determinação do prefeito da época, Srº Luiz Latorre. Desde então, o local é utilizado para essa e outras eventualidades, e ficou reconhecido por todo o Brasil como o "Parque da Uva" ou "Festa da Uva". O título de "Terra da Uva" consagra a cidade, que possui atualmente entre 8 à 10 milhões de pés de uva.
Nesta época começaram a surgir produtores e a cidade foi marcada pelo cultivo das videiras. Famílias humildes fizeram parte desta história e contribuíram para Jundiaí tornar-se celebridade no cultivo de uvas de mesa. |